Para que serve o albendazol, qual a dose e quando repetir
Atualizado em outubro de 2026
O albendazol serve para tratar as verminoses intestinais mais comuns no Brasil: lombriga, oxiúros, amarelão (ancilóstomo), tricuríase, estrongiloidíase, tênia e Hymenolepis nana, além da giardíase em crianças e do bicho-geográfico. Para adultos e crianças acima de 2 anos, a bula indica o comprimido de 400 mg; o que muda de um verme para outro é o número de dias.
Entender para que serve o albendazol é a parte fácil. A dúvida que mais aparece depois da primeira dose é outra: precisa repetir? A bula e o CDC, o centro de controle de doenças dos Estados Unidos, respondem de jeitos diferentes para os oxiúros, e isso explica boa parte dos casos de "tomei e o verme voltou".
Para que serve o albendazol, verme por verme
O albendazol é um vermífugo da família dos benzimidazóis, a mesma do mebendazol. Na bula para o paciente do albendazol comprimido, as indicações são:
- Lombriga (Ascaris lumbricoides);
- Oxiúros (Enterobius vermicularis), o verme da coceira anal à noite;
- Amarelão (Ancylostoma duodenale e Necator americanus), que entra pela pele do pé descalço;
- Tricuríase (Trichuris trichiura);
- Estrongiloidíase (Strongyloides stercoralis);
- Tênia ou solitária (Taenia spp.) e Hymenolepis nana;
- Giardíase em crianças, de 2 a 12 anos;
- Bicho-geográfico (larva migrans cutânea) e opistorquíase.
Ameba não está na lista. Quem tem amebíase confirmada no exame de fezes recebe outro medicamento, indicado pelo médico, e por isso tomar albendazol "por conta" pode não resolver nada. A giardíase em adultos também fica fora da bula: a indicação registrada é só para crianças.
Dose do albendazol para cada verme
Em todas as indicações, a dose é a mesma: 400 mg, que corresponde a um comprimido de 400 mg ou a 10 mL da suspensão de 40 mg/mL. O que varia é a duração.
| Verme ou doença | Quem pode tomar | Por quanto tempo |
|---|---|---|
| Lombriga, amarelão, tricuríase, oxiúros | Adultos e crianças acima de 2 anos | Dose única |
| Estrongiloidíase, tênia, Hymenolepis nana | Adultos e crianças acima de 2 anos | 1 dose por dia, por 3 dias |
| Giardíase | Crianças de 2 a 12 anos | 1 dose por dia, por 5 dias |
| Bicho-geográfico | Adultos e crianças acima de 2 anos | 1 dose por dia, de 1 a 3 dias |
| Opistorquíase | Adultos e crianças acima de 2 anos | 2 doses por dia, por 3 dias |
Fonte: bula do paciente do albendazol 400 mg. A dose e a duração devem ser confirmadas com o médico, que sabe qual verme apareceu no exame.
E abaixo de 2 anos? A bula não traz orientação para essa idade. A Organização Mundial da Saúde, nas recomendações de desparasitação em massa, usa meia dose (200 mg) para crianças de 12 a 23 meses, mas isso vale para campanhas em regiões onde pelo menos 20% das crianças têm vermes. Em casa, bebê com menos de 2 anos só toma vermífugo com indicação do pediatra.
Como tomar o albendazol na prática
Segundo a bula, o comprimido pode ser engolido com água ou mastigado. Criança que tem dificuldade para engolir pode mastigar com um pouco de água ou tomar o comprimido amassado.

- Com ou sem comida: a bula brasileira permite tomar durante ou depois das refeições, ou de estômago vazio. Para oxiúros, o CDC prefere a tomada em jejum; na dúvida, siga o que o médico orientar.
- Horário: não existe hora certa. No tratamento de 3 ou 5 dias, o que importa é repetir no mesmo horário todos os dias.
- Esqueceu uma dose: tome assim que lembrar. Se já estiver perto da próxima, pule a esquecida e siga normalmente, sem dobrar.
- Fase da lua: não encontramos nenhum estudo mostrando que a lua muda o efeito de vermífugo. Esperar a minguante só atrasa o tratamento.
Para comparar o albendazol com os outros remédios de farmácia e as doses por faixa de idade, veja o guia de sinais de vermes e a dose de remédio para cada idade.
Albendazol dose única precisa repetir?
Depende do verme. Para lombriga, amarelão e tricuríase, a bula fala em dose única e orienta voltar ao médico se não houver melhora depois de três semanas, porque um segundo ciclo pode ser necessário. Para Hymenolepis nana confirmado, a bula também prevê um segundo ciclo.

Com oxiúros a história muda. A orientação clínica do CDC para oxiuríase é tomar 400 mg e repetir a mesma dose duas semanas depois. O motivo é simples: o remédio mata o verme, mas não mata os ovos. Os ovos que estavam nas unhas, na roupa de cama ou na toalha eclodem depois da primeira dose, e a segunda pega essa nova geração antes que ela bote mais ovos.
O mesmo documento diz que lavar as mãos com cuidado é a forma mais eficaz de evitar a infecção e a transmissão. Na prática, para oxiúros, isso significa:
- unhas curtas e mãos lavadas com sabão depois do banheiro e antes de comer;
- banho pela manhã e troca diária da roupa íntima;
- lençóis, fronhas e toalhas lavados no dia do remédio e de novo na segunda dose;
- atenção a todos da casa, já que o verme passa fácil entre irmãos e colegas de creche. Se mais alguém precisa de remédio é o médico quem decide.
Tomei albendazol e continuo com vermes: o que pode ser
Há quatro explicações frequentes, e só uma delas é o remédio "não funcionar".
Reinfecção
Com oxiúros, é a explicação mais provável. Sem a segunda dose e sem os cuidados acima, a criança se contamina de novo com os próprios ovos em poucas semanas.
O verme não era o que se pensava
Ameba e giardíase em adultos não estão entre as indicações da bula. Sem exame de fezes, a família pode estar tratando o parasita errado.
Tricuríase e amarelão respondem pior
Uma meta-análise publicada no BMJ em 2017 comparou os vermífugos recomendados. A dose única de albendazol curou 79,5% das infecções por amarelão. Contra o Trichuris trichiura, a taxa de cura caiu de 38,6% em 1995 para 16,4% em 2015, e os autores classificaram essa queda como preocupante. Contra a lombriga, todos os remédios foram muito eficazes.
Esquema curto para um verme que pede mais dias
Estrongiloidíase e tênia precisam de 3 dias de tratamento. Quem toma só um comprimido "porque o remédio de verme é dose única" fica com o tratamento pela metade.
Em qualquer um desses casos, o caminho é repetir o exame de fezes e voltar ao médico, em vez de emendar uma caixa atrás da outra.
Efeitos colaterais e quem não deve tomar
O albendazol costuma ser bem tolerado. A bula classifica como incomuns, ou seja, em 0,1% a 1% das pessoas, a dor de barriga, dor de cabeça, tontura, náusea, vômito e diarreia. Alergia e alteração das enzimas do fígado são raras, de 0,01% a 0,1%.
Não deve tomar quem:
- está grávida, suspeita de gravidez ou planeja engravidar;
- tem alergia ao albendazol ou a remédios parecidos, como mebendazol e tiabendazol.
Na amamentação, a bula não recomenda o uso, a não ser que o médico avalie que o benefício para a mãe supera o risco para o bebê. Quem tem doença no fígado também precisa de avaliação antes.
Alguns remédios mudam a quantidade de albendazol no sangue. Cimetidina, praziquantel e dexametasona podem aumentar; ritonavir, fenitoína, carbamazepina e fenobarbital podem diminuir. Quem usa algum deles deve avisar o médico antes de tomar o vermífugo.
Procure o pronto-socorro se, depois do remédio ou durante a verminose, aparecer dor forte na barriga com vômitos repetidos, barriga inchada e dura, sangue nas fezes, febre alta, falta de ar, inchaço no rosto ou manchas pelo corpo. Pele ou olhos amarelados, urina escura e fezes claras também pedem avaliação médica rápida. Em caso de ingestão de muitos comprimidos, vá ao atendimento levando a caixa ou a bula; a bula indica ainda o Disque-Intoxicação, 0800 722 6001.
Onde conseguir o albendazol
O albendazol faz parte da assistência farmacêutica básica do SUS. A nota técnica do Ministério da Saúde sobre o albendazol lista o comprimido de 400 mg e a suspensão oral de 40 mg/mL entre os medicamentos do Componente Básico, a primeira linha de remédios do sistema. No posto de saúde também dá para passar pela consulta e pedir o exame de fezes.
Ele existe como genérico e com marcas comerciais. A substância e a dose são as mesmas; o que pode mudar é o formato (comprimido comum, mastigável ou suspensão).
E os protocolos naturais?
Fitoterápicos não substituem o albendazol quando há verminose confirmada. Eles entram como suporte, e a força da evidência é a das plantas que levam, quase sempre estudadas em laboratório ou em animais. Explicamos o que se sabe de cada planta no artigo sobre como funciona a desparasitação natural, e a comparação entre os dois caminhos está no texto sobre remédio para vermes em adultos, sintético ou natural.
Para quem quer esse suporte depois de conversar com o médico, o protocolo de desparasitação natural para adultos da VermeFree combina cinco ervas, óleo de orégano, ornitina e silimarina num cronograma de 30 dias, a partir de 10 anos. Para crianças, há protocolos com dose separada para 2 a 4 e 5 a 9 anos. Segundo o fabricante, cada lote tem laudo de ausência de metais pesados. Gestantes, lactantes, crianças e quem usa outros medicamentos precisam de orientação médica antes de qualquer fitoterápico.
Perguntas frequentes sobre o albendazol
Qual o melhor horário para tomar albendazol?
Não há horário melhor. A bula permite tomar com ou sem comida; no tratamento de vários dias, mantenha o mesmo horário todos os dias.
Albendazol serve para ameba?
Não. A amebíase não está entre as indicações da bula, e o médico indica outro remédio para ela. O exame de fezes mostra qual parasita está presente.
Albendazol e mebendazol são a mesma coisa?
Não, mas são da mesma família, os benzimidazóis, e a OMS recomenda os dois para os vermes transmitidos pelo solo. Quem tem alergia a um deles não deve tomar o outro.
Pode dar albendazol para criança de 2 anos?
A bula autoriza o uso a partir dos 2 anos, com a mesma dose de 400 mg (10 mL da suspensão de 40 mg/mL). Mesmo assim, a dose e a duração devem ser confirmadas com o pediatra.
Posso beber álcool depois de tomar albendazol?
A bula não cita interação com álcool. Como a bula lista alteração das enzimas do fígado entre as reações raras e o tratamento dura poucos dias, o mais prudente é evitar bebida até terminar e tirar a dúvida com o médico ou farmacêutico.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico ou pediatra. Em caso de sintomas, procure orientação profissional.







